Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Keep walking



Tem algo que me incomoda. Aquela sensação de que as coisas ainda não estão do jeito que aparentemente deveriam estar. Mas depois de um certo tempo isso deixa de ser um problema. Vai-se aprimorando a capacidade de colocar as coisas no lugar. Como se você fosse uma força anti-big bang. Aquilo que vai de encontro ao caos natural do universo. Aprendi recentemente que os problemas são bons. (Como assim?). Calma. No sentido de que é preciso perseverar, e testar sua habilidade de lidar com situações adversas. Prove e prove a si mesmo. Continue seguindo em frente.

Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

"No one's gonna stop me now"



Não é fácil olhar para trás e fazer um balanço de tudo o que aconteceu. Pesar os fatos, os tropeços e os grandes e desastrosos acontecimentos do ano que passou. Na verdade, fazer uma autocrítica é coisa de final de ano mesmo, quando as pessoas ficam mais melancólicas e o dia-a-dia desacelera um pouco para dar espaço às festas, aos feriados e à preparação para a chegada do futuro ano.

Dois mil e oito foi um ano bom. Aquele ano característico de transição. Muitas dúvidas e tomadas de decisões. Algumas com a ajuda de pessoas próximas, outras com aquele leve empurrão nas costas: "te vira". Um ano de andar com as próprias pernas. Segurar o mundo com somente as duas mãos, e repetir várias vezes que "no final sempre dá tudo certo". Não tão certo quanto se gostaria. Mas com êxito sob outros pontos de vista.

Com o tempo a gente vai ficando assim. Cada vez mais flexível e otimista. Começar o ano com dinheiro no bolso e saúde para dar e vender é mais importante. O resto a gente barganha fôlego e disposição para correr atrás. E que venha 2009!

Domingo, 28 de Dezembro de 2008

Família, família

Comecei a rabiscar o texto cantando a música "Família" do Titãs: "Família êh! Família ah!Família! oh! êh! êh! êh!". Falar sobre reuniões de família parece mesmo letra de rock'n roll, aquela coisa distorcida, meio barulhenta para os ouvidos. No início você acha um barato, a casa cheia de gente, a criançada correndo para todos os lados, fulano quer saber o que você faz para sobreviver, beltrano quer ver tudo o que você trouxe na mala, você hesita, ri, cede, e no final de tudo, enlouquece. Me sinto em um filme, só que depois de ter apertado a tecla de "aceleração". Muitas pessoas te cumprimentando ao mesmo tempo, fora as apertadas nas bochechas e os sorrisinhos, "é a cara da mãe", "seu pai já lhe contou a história de quando..." (senta que lá vem história).


No final de tudo, depois do fim da festa, você olha o salão vazio e acaba sentindo falta daquela festa cheia. É como se você se encontrasse, no meio daquela confusão de cumprimentos, sorrisos e abraços, um pouco de si e um pouco da sua história. Até porque se fosse tudo muito organizado e previsível não seria chamado "família".

Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Push the button



Engraçado como terminar um relacionamento é aquela mesma receita de bolo, o descontente expõe seus motivos, o envolvido rebate com respostas otimistas, o outro convence de que as coisas não são como aparentam ser, blá, blá, blá. Sangue, suor e lágrimas. Há sempre a dor da separação, a saudade dos bons momentos, e a necessidade de se reconstruir, enfim, seguir em frente, juntando os cacos que sobraram. Não é fácil. Por isso a gente tem que passar por isso. Faz parte do tal crescimento pessoal. Bem que seria bom ter um botão para apertar e amar por conveniência. Parece clichê, mas algumas pessoas aparecem em momentos inoportunos. Não dá para cutucar a cabeça e dizer, "Ele pode não reaparecer nunca mais. Nunca mais. Tente. Por você e por ele". É importante se permitir. Dar a cara a tapa. Tentar. Acredito que não custa. Não significa que você está enrolando a pessoa por conveniência. Apenas está tentando. Melhor do que ver a vida passar lá na rua dentro de uma vitrine. Não seja expectador. Passe para o outro lado. Seja protagonista, da sua tragédia, do seu maior romance, da maior aventura de sua vida. Que seja. Mas viva. Intensamente, cada dor, cada amor, cada deleite, cada aprendizado. Por que se a gente tivesse um simples botão que comandasse tudo isso, qual seria a graça de não viver um momento novelão mexicano? Y a mucha honra María la del barrio soy.

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Poeminha de Novembro

"Cadê a menina do sorriso bonito? Deve estar vendo televisão, folheando uma revista, ou quem sabe procurando um filme para rever pela décima vez. Pode estar caminhando, ou na janela (jogando conversa fora). Quem sabe estudando, decorando um texto, falando para as paredes. Acho que está tomando banho, ficando mais cheirosa do que já é. Na verdade, ela está olhando o calendário, vendo que o final de semana está chegando. Se bater um frio na barriga, ela pode me ligar. Para um rapaz, sem sorriso bonito, mas que possa estar pensando também, sem receio de dizer se está ou não disponível, apenas esperando alguém sentir um frio na barriga" (Adaptação de um poeminha).

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Pra recomeço de conversa

Não sei se é culpa do signo de Aquário, mas eu tenho uma certa mania de mudança. Estranho chamar de mania, acho que é característica de personalidade mesmo. Carrego uma sensação de inquietude pra todos os lados. Uma necessidade de novidades, de coisas diferentes, de pessoas novas, de ter um mundo desconhecido ao alcance das mãos. Mas o "estranho" nem sempre é mais sedutor que o "conhecido". Gosto de inovar, de reformular, de reinventar uma nova moda em cima daquela preexistente: criar um novo trajeto pro trabalho, quebrar a rotina, distorcer o desenrolar das coisas pra ver como poderiam ser de outra maneira, me surpreender e surpreender os outros, enfim, um veneno anti-monotonia.

Estava conversando com um amigo com quem estava reatando uma amizade após um período de distância causado por uma briga. Falávamos de "pra recomeço de conversa" e "pra começo de reconversa". Acho que novidade não se refere apenas ao "novo". Reformular algo preexistente já é uma grande mudança, porque testa nossa capacidade de dar uma nova chance a nós mesmos e àqueles que fazem parte de nossas vidas, seja uma amizade resgatada, um namoro em crise e até mesmo, um casamento fadado ao fracasso.


Tente colocar a palavra "inquietação" no seu dicionário.

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Ô, Martha




Fazia tempo que não devorava um livro em tão curto espaço de tempo. Resolvi comprar "Doidas e Santas" da Martha Medeiros no aeroporto, antes de ir para a sala de embarque. Eu sei que é feio dizer isso, mas devo confessar que a "pin up" na capa me chamou a atenção. Adoro "pin up's", essas figuras tão "sexualmente sutis", que conseguem ser sensuais, sem apelo. Mas, voltando ao livro. Percebi que era uma reunião de diversas crônicas publicadas pela jornalista gaúcha entre os anos de 2006 a 2008.



Martha consegue falar de maneira tão cotidiana e trivial de temas discutidos em rodas de amigos, reuniões íntimas e até calados por nós: cultura, arte, amor, relacionamentos, medo, fracasso e até sobre a vida, de uma maneira geral e peculiar. O mais interessante é a sinceridade com que ela expõe seus argumentos, sem medo de parecer radical ou inflexível. Não é fácil argumentar, principalmente em um livro, onde suas palavras impressas no papel são a única forma de defender seu ponto de vista, e Martha consegue deixar tudo claro nas linhas e entrelinhas.



A grande lição de "Doidas e Santas" é essa dualidade que enfrentamos no dia a dia, a necessidade de ser flexível, de ter que usar artimanhas para lidar com as adversidades do cotidiano, mesmo que você tenha que se virar como uma doida, maluca, corajosa, heroína, contida, educada ou santa. Viver não é fácil, mas não quer dizer que você deve ver a banda passar da janela do seu apartamento. Se não der certo, respire, tire um bom aprendizado disso tudo e tente novamente. A essência daquelas mais de 200 páginas é a reflexão sobre essa capacidade de "mutação" do ser humano, de perseverar diariamente.



Não tem como não se sentir vivo, extremamente vivo.



Ô, Martha, obrigada pelo livro.